sexta-feira, 25 de maio de 2012


Como surgiu a expressão TCHÊ!


Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos de Jesus. Todos na casa do sumo sacerdote reconheceram Pedro como discípulo de Jesus pelo seu jeito "Galileu" de se expressar. No Brasil também existem muitos regionalismos. Quem já não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"? Essa expressão, própria dos irmãos do sul, tem um significado muito curioso. Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".

Há muitos anos, antes da descoberta do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples. Por essa razão, a linguagem falada no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade" e assim por diante.

Uma forma comum das pessoas se referirem a outra era usando interjeições também religiosas como: "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.

Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (se lê Tchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu. Eles usavam essa expressão para expressar espanto, admiração, susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também serviam dela para chamar pessoas ou animais.
Com a descoberta da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos e uruguaios acabaram importando para a sua forma de falar.
Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo alguém "do céu". Que bom seria se todos nos tratássemos assim:

Considerando uns aos outros como gente do céu.

Um abraço, Tchê!


                    Lista de Poesias Gaúchas

 Alcy José de Vargas Cheuiche
»   Eu gostava do meu cuscoQue diacho! Eu gostava do meu cusco.
»   Reza ChucraPerdoe Virgem Maria por lhe tomar atenção

 Algacyr Costa
»   Vida de CasernaMe apresentei pra cumprir meu dever de cidadão

 Antonio Augusto Coronel Cruz
»   GauchescaCanto agora nestes versos com meu grito entusiasmado a lida

 Antonio Augusto Fagundes
»   Mulher GaúchaOs velhos clarins de guerra desempoeirando as gargantas
»   Lenço Branconascido de alma caudilha - nem por isso menos franca -

 Apparicio Silva Rillo
»   Canto aos AvósOs avós eram de carne o osso. Tomavam mate, comiam carne
»   Cusco CegoEste cusco brasino, cara branca, pequenote e rabão,
»   DesafioHá um potro dentro de mim, pedindo cancha.
»   HerançaNaqueles tempos, sim, naqueles tempos as casas já nasciam
»   LagoaAs estrelas pediram, pediram um espelho pra Nosso Senhor
»   Mãe VelhaCabelo era preto. Que liso era o rosto! Teu corpo era flor.
»   No BolichoTraga de vez a garrafa, bolicheiro! me despacha, que hoje...
»   Pago VagoVago é meu pago. Este que trago, cicatriz em mim
»   PerfilDou rédea aos potros que monto na concha das invenções,
»   Romance do ArrendadorVendeu os gados e arrendou os campos. Reservou-se apenas,
»   Romance de João da GaitaSempre a tocar o cavalo, João da Gaita se criou.
»   Romance do InjustiçadoComo talhado em pau-ferro, o carão de traços duros,
»   Velha FacaUm palmo e pico de aço, rude e glorioso pedaço da espada de

 Ary Neri de Oliveira e Silva
»   A Doma do Potro CoriscoCorreu notícia que havia um fazendeiro afamado...

 Aureliano de Figueiredo Pinto
»   Aqui Estou, Sr. InvernoJá sei que chegas, Inverno velho!
»   Chimarrão da MadrugadaNão sei por que nesta noite o sono velho cebruno
»   A Oração do PosteiroDe tarde... Boleio a perna e maneio o redomão, -no portão
»   Rom. do Gaúcho Velho SolitoQuando arranchei neste chão empecei pelas mangueiras
»   Romance de PeãoEste tobiano de Estância foi o bicho mais maleva que o diabo
»   Romance do Tropeiro DoidoJá velhito, não perdia uma tropeada comprida

 Balbino Marques da Rocha
»   A Doma do Potro BaioE um potro baio-amarelo, Que não pelava o lombilho

 Bruna Bassanesi
»   Para Minha Égua, a Seu JeitoUma égua eu ganhei, E muito feliz fiquei.

 Caco Coelho
»   Sonhada QuerênciaQueria que, de repente, tudo fosse diferente, da vida que tenho aqui

 Bernardo Taveira Júnior
»   O BoleadorE o destro campeiro na fúria indomável, seguindo o cavalo que vai

 Cancioneiro Gaúcho
»   MateDizem que o mate afoga as mágoas do coração; mate sobre mate

 Carlos Omar Villela Gomes
»   Hoje é um dia bom pra se...Hoje é um dia bom pra morrer... Pensou repentinamente, sentindo a alma nos olhos...

 Chico Ribeiro
»   Negrinho do PastoreioA mão da noite fechara a porta grande do dia,
»   TaperaSem porta e sem janelas, da cumeeira, Tirou-lhe o vento há muito

 Colmar Duarte
»   SagaUm pouco a pé, um pouco nas carretas, cheguei até aqui com
»   Último AtoA morte chegou de quieto, com alpargatas barbudas de tanto

 Cristina Areias
»   O Mapa da Coxilha de FogoNa luta pela minha terra, deitei nela suor, e sangue,

 Cyro Gavião
»   PetiçoEsse petiço troncho que, ao passito, vem chegando co'a pipa

 Desconhecido
»   Prece do CavaloAo meu amo ofereço minha oração...

 Dimas Costa
»   A Morte do BrigadianoHouve o tempo em que a "folha" era a arma respeitada, pois assim

 Dirceu Pires Terres
»   O Meu Cavalo CriouloGaúcho velho largado pede aqui um intervalo...

 Fabrício do Prado Nunes
»   Lenda do Negrinho do PastoreioSentado num tronco de corticeira, forrado de couro curtido; já de pontas

 Flávio Ernani Barbizan
»   PartirQuando eu partir, queira Deus que demore, gostaria que fosse deste

 Glaucus Saraiva
»   BorrachoPobre borracho... ajoelhado no oratório do bolicho!
»   Lenda do Quero-QueroNos velhos tempos de antanho, quando o campo era sem dono
»   Negro do PastoreioNegrinho do pastoreio! Aqui em nome de Deus e dos tauras
»   ChimarrãoAmargo doce que eu sorvo, num beijo em lábios de prata.

 Guilherme Schultz Filho
»   PingosEm cada ronda da vida eu tive um pingo de lei. Montado, sou como

 Ieda Brock
»   Apenas SaudadesAh, que saudades que dá na gente quando se acorda cedito e não

 Ilton Carlos Dellandréa
»   Ecos do VentoOs ventos que rezam na pampa são ventos das fontes mais virgens,
»   Natal PampianoO Natal da nossa pampa verdejante vem sem neve nas copadas do

 Jayme Caetano Braum
»   AmargoVelha infusão gauchesca de topete levantado, o porongo
»   Arroz CarreteiroNobre cardápio crioulo, das primitivas jornadas...
»   BochinchoA um bochincho - certa feita, fui chegando - de curioso
»   Cemitério de CampanhaCemitério de campanha, rebanho negro de cruzes,
»   Chimarrão e PoesiaSempre grudado no posto, o payador missioneiro
»   Faca-CoqueiroCabo de madeira branca e a folha de palmo e meio,
»   Galo de RinhaValente galo de briga, guasca vestido de penas!
»   GineteandoA la putcha meu patrício, como é lindo e perigoso
»   HermanoSeu nome - nunca se soube, nem ele mesmo sabia.
»   Hora da SestaO sol parece uma brasa na cinza do firmamento.
»   Jogando TrucoO TRUCO é um jogo tão guasca como a Tava e as Chilenas.
»   Natal GalponeiroA cuia do chimarrão, É o cálice do ritual
»   Negrinho do PastoreioQuando de noite transito no meu gauderiar andejo, me paleteia
»   Paisagens PerdidasA tarde recolhe o manto, carqueja e caraguatá;
»   PayadaRaízes, tronco, ramagem.... Ramagem, tronco, raiz....
»   Payada do Ano NovoFeliz Ano Novo - indiada, Feliz Ano Novo - gente,
»   Remorsos de CastradorUm pealo --- um tombo --- grunhidos de impotente rebeldia,
»   Sem DiplomaBendito aquele que estuda, porque estudar é importante,
»   Seu EsmilindroAquele ali, se esquentando, que parece estar dormindo,
»   Tio AnastácioEntre a Ponte e o Lajeado, na venda do Bonifácio, conheci o tio

 João da Cunha Vargas
»   Deixando O PagoAlcei a perna no pingo e saí sem rumo certo, Olhei o pampa deserto

 Jorge Lima
»   Minha Alma de GalpãoQuando a tarde chega ao fim avermelhando o poente

 José Carlos Cardoso Goularte
»   De Gaúcho e de CavalosNascido das manhãs claras de claras intenções de amor

 José Hilário Retamozo
»   Exaltação farroupilhaOlha estas mãos afeitas ao manejo das rédeas e das lanças
»   GalpãoEmponchados acorrem aos galpões e o calor que se transmitem

 José Machado Leal
»   Compositor de CavalosNo bolicho do Barbosa a prosa corria solta
»   Romance do Peão GuerreiroO rancho era um ninho de paz perdido no verde do pampa.

 Lauro Rodrigues
»   Cavalo PicaçoFoi bem ali, nas Figueiras que sobranceiam as coxilhas
»   SaudadeQuando o sol golpeia no horizonte e se vai reclinar por de trás do

 Leandro Araújo
»   Sonhos de um Guri CampeiroMuito mais que somente um guri, É um pequeno homem das lidas

 Léo Ribeiro de Souza
»   Lá Nas ContendasRuas talhadas no bater de cascos, casebres toscos, num dos quais

 Loresoni Barbosa
»   Elegia à Pátria AmadaSombreando a beira da estrada passam os filhos bastardos
»   Romance do Guasqueiro SóAgosto alçou o poncho sobre os ombros da coxilha,

 D. Luiz Felipe de Nadal, Bispo
»   Oração do GaúchoVou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências

 Luiz Coronel
»   PilchasNão pensem que são pirilampos essas estrelas lá fora.
»   Gaudêncio Sete Luas tem um Canto de SaudadesAtirei minha saudade lá no fundo do riacho. As águas foram gemendo

 Luiz Menezes
»   O Sonho do CarreteiroCarreteou anos a fio. Conhecia palmo a palmo as estradas da
»   Último PousoA morte a china maleva, traçoeira que até dá pena.

 Mano Terra
»   Solo y LibreSolo y libre, em campo aberto e na amplidão sem limite;
»   O Vazio da AusênciaHoje a tristeza pealou-me e a dor está dentro do peito.

 Moacir D'Avila Severo
»   LiberdadeSou sede de tanta gente por este mundo sem fim,
»   A prece de MariaO Sol desce na amplitude do espaço, na intenção
»   Mensagem de milongasQuando debatem guitarras nas farras de pulpeiras,
»   Um certo loucoNa estampa um pobre louco, na alma um guitarreiro.
»   Como chuvas num cafundóA tarde passava ao tranco. Das nuvens um choro manso
»   Funeral de tropasA tropa aponta na ponta da estrada maleva que leva ao Juízo Final.
»   O desterradoPateou cobertas pra saborear o silêncio que a madrugada oferece
»   DesejosTeu calor, como espinilho, braseando um fogo de chão,
»   SanchuriPala branco encobrindo sesmarias, espelho claro, pedaço de céu
»   IbirapuitãCristalinas águas mansas que passavam
»   ApeloLiberdade devia ter a força da expressão,
»   BirrasMinha velha, pega a cuia, vamos matear, só nós dois.
»   Verso livreMeu verso é um grito liberto da alma
»   Um heróiNum passo ao compasso do impulso do peito.
»   Pequeno engraxateA praça é pomposa, tem caros adornos.

 Marco Aurélio Campos
»   Eis o HomemBrotei do ventre da Pampa que é Pátria na minha Terra. Sou resumo de uma guerra que ainda tem importância,

 Moises Silveira de Menezes
»   Carta Aberta Ao Guri Que FuiQuando vim de lá, trouxe quase tudo, tudo que cabia na velha mala
»   Fragmentos Memoriais De Um AnônimoNão, não me pintem por favor, pilchado, bem montado em flor de flete;
»   Ode à Senhora do SobradoBela e amável senhora apareça no terraço deixe que a brisa brejeira
»   Romance de Campo e MarQuem embarca em barco alheio embarca anseios e medos,
»   Um Canto Para Matear SolitoQuando o sol vai despacito me quedo mateando quieto no velho

 Mozart Pereira Soares
»   Flete NegroComo num sonho pressago, vejo-te além galopear

 Nitheroy Ribeiro
»   CancelaQuantas recordações tu me trazes a lembrança, das vezes que
»   FandangoPuxei p'rá riba as esporas farpentas que nem ouriço
»   RedomãoA conta já perdi dos galopes que lhe dei!

 Nogueira Leiria
»   Tropilha de EscurosMinha parelha de escuros não tem mancha ou lista branca.

 Odilon Ramos
»   Ave Maria do PeãoNo reponte do sol que descamba, o dia se aprochega para o
»   Mulher PampianaE aqui estou eu meu gaudério, em tempos de guerra e paz, sou

 Oscar Daudt Filho
»   GaitaGaita minha... Cancha larga do pensamento

 Pe. Paulo Aripe (Potrilho)
»   Porque Padre Não CasaMuitas vezes na campanha, Eu ouvi da gauchada

 Paulo de Freitas Mendonça
»   Bem AmigoComo é bom ver um amigo bem a sorrir por ter e amar alguém
»   CentauroQuem morre com seu cavalo numa cruzada de cargas
»   Pajada à Morte de Um PoetaQuando morre um poeta ficam seus versos escritos e muitos temas
»   Querências AmigasEm Rivera e Livramento pajadores lado a lado

 Paulo Sérgio Boita
»   Cerne NativoVivi meio a lo léo, teatino dos quatro ventos. Levando a vida nos
»   Estrela do PagoBendita estrela que brilha no céu do Rio Grande altaneiro
»   GauderiandoE um carancho lá no mato, pra iniciar o redato desta andança
»   Velho TataGolpeio mais um amargo bugra seiva de lembranças. Rememoro...

 Paulo Zenni Araujo
»   Meu GaloEu tive um galo de rinha puro sangue, cor prateada, com uma

 Roberto Osório Júnior
»   Horizontes do PagoQuando o sol da manha sobre as colinas, Lá nos rincões bonitos do

 Ruben Sofildo da Silva
»   GaúchoGaúcho é filho do pago, que ama e zela esta terra
»   Meu PalaMeu velho pala gaúcho, nobre traste farroupilha,

 Rui Cardoso Nunes
»   Alma GaudériaOs rasteadores da História campearam minha memória, do tempo

 Ubirajara Raffo Constant
»   Retorno BravoAli na porta do rancho, junto ao cusquito nervoso, o velho guasca

 Walter Spalding
»   TaperasHumildemente, jazem cheios de heras, sob a sombra de umbús

 Wilson Araújo
»   EssênciasUm galpão, um fogo de chão, um manojo de jujos pendurado

 Valter Nunes Portalete
»   Pedaços de todos nósMontei no lombo do tempo, pra recordar o passado e ver de perto o

 Vargas Netto
»   CampereadaHoje, parei rodeio na fazenda da vida!... Apartei um bom lote
»   ChimarrãoChimarrão! Desculpa boa pra eu apertar os dedos da chinoca,
»   FacaFaca - amiga de todos os momentos, de tantas utilidades e misteres
»   Lança dos GuedesLança dos farrapos sem medo e sem trégua, que nas três
»   Quero-QueroQue é que tu queres, quero-quero? Implico com teu grito, que aos ...
»   TaperaAlguns torrões no mais! Um cinamomo! Heróica retaguarda

 Vasco Mello Leiria
»   O Cavalo Crioulo e o SonetoLombo liso, o pescoço bem plantado.

 Zeno Cardoso Nunes
»   Briga de TourosA chuva de verão passou. Veio a estiada. O sol, a pino.